PUBLICIDADE

'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada; Amado Batista e BYD são incluídos

'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada; Amado Batista e BYD são incluídos

O governo federal tornou pública uma nova atualização da chamada lista suja do trabalho escravo, ampliando o número de empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições degradantes. A revisão divulgada nesta semana acrescenta 169 novos nomes ao cadastro, elevando para mais de 600 o total de registros ativos em todo o país.

O levantamento é conduzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e reúne casos já encerrados na esfera administrativa, sem possibilidade de recurso. Entre os novos incluídos aparecem pessoas físicas e empresas de diferentes setores da economia, com predominância de atividades ligadas ao campo e ao trabalho doméstico.

Entre os nomes citados nesta atualização estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, que passou a integrar o cadastro após investigações envolvendo a construção de uma unidade industrial na Bahia. O caso revelou trabalhadores estrangeiros vivendo em alojamentos precários, submetidos a jornadas exaustivas e restrições de liberdade, segundo apuração das autoridades.

Ao todo, as ocorrências recentes resultaram no resgate de mais de dois mil trabalhadores em diferentes regiões do país, evidenciando que o problema persiste de forma espalhada e atinge desde grandes empreendimentos até relações informais de trabalho.

Os dados também mostram concentração em estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia, além da presença significativa no Nordeste, incluindo a Paraíba. As atividades mais recorrentes envolvem serviços domésticos, pecuária, lavouras e construção civil, setores onde a fiscalização enfrenta desafios históricos.

A inclusão na lista funciona como um mecanismo de transparência e pressão econômica, já que empresas e empregadores passam a enfrentar restrições de crédito e desgaste público. Em contrapartida, nomes podem ser retirados após dois anos ou antes disso, caso haja acordo formal para reparação dos danos e compromisso com práticas regulares.

Criada há mais de duas décadas, a lista se consolidou como uma das principais ferramentas de combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil. Ao longo desse período, operações coordenadas por auditores fiscais já libertaram dezenas de milhares de trabalhadores e garantiram o pagamento de valores milionários em direitos trabalhistas, revelando um cenário que ainda desafia o país a enfrentar desigualdades profundas no mundo do trabalho.

Leia mais

PUBLICIDADE